quarta-feira, 9 de abril de 2008
Polarização social e desemprego
O crescimento das classes médias assalariadas constituiu um dos reflexos mais importantes da recente evolução da economia portuguesa. O esforço de modernização e reestruturação produtiva tem sido acompanhado, contudo, pela acentuação de desigualdades na distribuição dos rendimentos, agravada pela crescente segmentação tanto entre emprego estável e precário, como entre economia formal e informal. Surgem, assim, novos riscos de polarização social entre setores estabilizados e protegidos, por um lado, e, pelo outro, setores precarizados e excluídos nos planos da economia e da proteção institucional. Entre as recentes dinâmicas socioeconômicas, destaca-se, ainda, o recente mas rápido crescimento do desemprego, que aumentou 74% entre 1992 e 1994, situando-se, todavia, em níveis relativamente baixos (7%) comparativamente com a média da União Européia. Do ponto de vista regional, o problema assume maior gravidade nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Um outro processo de grande relevância é o que tem a ver com a escolarização e com a dinâmica das qualificações profissionais. O aumento da escolaridade nas gerações mais novas fez-se acompanhar pelo crescimento do analfabetismo funcional e pelo reforço da marginalização dos indivíduos com insucesso escolar e sem qualificação profissional específica.
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