Durante a década de 1950, Portugal fortaleceu suas relações com os Estados Unidos e em 1958 Salazar permitiu que um candidato da oposição, Humberto Delgado, concorresse à presidência, mas este seria vencido pelo candidato do governo, o contra-almirante Américo Deus Thomaz, que foi reeleito em 1965 e 1971.
Na década de 1960, Portugal teve que enfrentar diversas revoltas em seus territórios ultramarinos; a Índia anexou Goa em 1961 e na África eclodiram várias rebeliões: em Angola no início de 1961, na Guiné no final de 1962 e em Moçambique no outono de 1964. A resposta do governo foi organizar campanhas militares repressivas contra estes levantamentos africanos, ao mesmo tempo que tomou medidas para melhorar as condições políticas e econômicas nesses territórios. Em conseqüência desta política, em 1961 Portugal estendeu a cidadania portuguesa aos habitantes de suas colônias africanas, mas continuaram os acirrados enfrentamentos ao longo de toda a década e da seguinte. Durante este período, as Nações Unidas condenaram Portugal por manter guerras coloniais (ver Colonialismo). A importância das colônias para a manutenção do regime ditatorial era fundamental no aspecto econômico, pois constituíam a principal fonte de divisas portuguesas.
Em meados da década de 1970, vários empréstimos estrangeiros ajudaram a desenvolver vários projetos de irrigação e construção de obras públicas. Embora tenham ocorrido diversas manifestações de estudantes durante este período, a oposição política ao regime de Salazar não se organizou.
Reformas democráticas
Em 29 de setembro de 1968, Marcelo Caetano, um professor de direito e empresário durante muito tempo aliado de Salazar, se tornou primeiro ministro sucedendo Salazar, que tinha ficado incapacitado por causa de uma apoplexia. Embora fosse partidário de reformas, quando assumiu o cargo Marcelo Caetano continuo a política repressiva de Salazar, especialmente na África.
Uma série de êxitos militares e políticos por parte dos movimentos de libertação africanos ameaçaram a estabilidade econômica de Portugal (já bastante frágil devido os elevados gastos militares para manter as guerras coloniais) e permitiram que um grupo de oficiais portugueses derrubasse o governo de Caetano em 25 de abril de 1974 com um movimento implacável, denominado Revolução dos Cravos. Uma junta de sete membros, dirigida pelo general Antônio de Spínola, assumiu o poder e prometeu estabelecer um sistema democrático em Portugal e a independência dos territórios africanos. Entre 1974 e 1975, Guiné-Bissau, Moçambique, as ilhas de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola se tornariam independentes, e em 1975-1976 o Exército indonésio ocupou o Timor. O regresso das tropas e dos colonos a Portugal oriundos das novas nações independentes agravou os problemas de desemprego e a inquietação política na metrópole.
Em 30 de setembro de 1974 Spínola renunciou diante do crescimento da influência comunista. Foi substituído pelo general Francisco da Costa Gomes. Vasco Gonçalves, que tinha se tornado primeiro ministro em julho, permaneceu em seu cargo. No início de 1975 o Movimento das Forças Armadas (MFA) assumiu um papel formal no governo e deu-se início ao processo de reorganização das Forças Armadas. O governo provisório aprovou uma lei que autorizava o funcionamento dos sindicatos; deste modo começou a reformar da economia e da vida social portuguesa. Entre as primeiras ações implementadas estava a nacionalização de algumas indústrias pesadas e da banca, e a expropriação e redistribuição dos grandes holdings agrícolas. Em março foi sufocada uma tentativa de golpe de Estado por parte da direita, dirigida por Spínola. Em abril os socialistas triunfaram nas eleições para formar uma assembléia constituinte.
Gonçalves formou um novo governo, mas se mostrou instável. Depois de uma série de choques entre socialistas e comunistas, seguidos por violentas manifestações anticomunistas (especialmente no norte), o MFA estabeleceu um triunvirato composto por Costa Gomes, Gonçalves e pelo general Otelo de Carvalho, encarregado das forças de segurança de Portugal. Em setembro, diante da insistência da Armada, o vice-almirante José de Azevedo substituiu Gonçalves como primeiro ministro. Sob o governo de Azevedo alcançou-se uma certa estabilidade e foi adotada uma nova legislação econômica com o objetivo de atrair o capital estrangeiro. Nas eleições gerais de abril de 1976, os socialistas conseguiram a maioria dos votos e seu dirigente, Mário Soares, passou a ser o primeiro ministro. Em junho, o general Antônio Ramalho Eanes foi eleito presidente de Portugal. A situação econômica não melhorou durante os dois anos seguintes e, em meados de 1978, Mário Soares entregou o cargo. Depois do fracasso de dois governos sucessivos, a conservadora Aliança Democrática (dirigida por Francisco Manuel de Sá Carneiro) ganhou por clara maioria as eleições parlamentares realizadas em dezembro de 1979. Sá Carneiro prestou juramento no cargo de primeiro ministro em janeiro de 1980, mas morreu em um acidente aéreo em dezembro desse ano. Foi sucedido por Francisco Pinto Balsemão, outro conservador, em janeiro de 1981. Durante o governo deste dissolveu-se o Conselho Militar da Revolução através de uma emenda constitucional (1982). As eleições parlamentares de abril de 1983 levaram novamente Mário Soares ao cargo de primeiro ministro. O governo de Soares introduziu um programa de austeridade e deu início às negociações para que Portugal passasse a integrar a Comunidade Européia (atual União Européia). As eleições de outubro de 1985 permitiram a formação de um governo minoritário dirigido pelo social - democrata Aníbal Cavaco Silva. Soares foi eleito presidente da República nas eleições de 1986; Portugal entrou para a Comunidade Européia nesse mesmo ano. A economia melhorou notavelmente com a introdução de uma política econômica neoliberal e tecnocrática. Nas eleições de 1987 os social - democratas conseguiram o controle do Parlamento: pela primeira vez um partido isolado conseguia a maioria desde 1975. Em janeiro de 1991, o presidente Mário Soares foi mantido no cargo por um período de cinco anos e os social - democratas mantiveram sua maioria nas eleições generais de outubro desse ano. Em 1992, quando Portugal ocupava a presidência da Comunidade Européia, complicou-se o cenário social; ocorreram manifestações de estudantes contra os exames de ingresso na universidade que acabaram por provocar a demissão do ministro de Educação; os servidores públicos se uniram para conseguir salários mais altos e os médicos fizeram dois dias de greve para protestar contra os planos do governo de privatizar alguns serviços de saúde.
Após uma década de governos de centro-direita do Partido Social Democrata, as eleições legislativas de outubro de 1995 deram o triunfo, mas não a maioria absoluta, ao Partido Socialista. Antônio Guterres assumiu o cargo de primeiro ministro nesse mesmo mês. Em janeiro de 1996, Mário Soares foi sucedido por Jorge Sampaio, também socialista, na presidência da República. Isto provocou uma situação insólita que não se produzia há anos: tanto o presidente como o primeiro ministro do país pertencem ao mesmo partido político, o que presumivelmente redundará em um bom entendimento entre ambos os cargos. O novo gabinete, que manteve o caráter europeísta e a política de privatizações implantados pelos social - democratas, tem de fazer frente a dois importantes desafios: o do desemprego, que aumentou nos últimos anos, e o do projeto de regionalização, que contempla a criação de novas entidades administrativas, mas conta com a desaprovação de numerosos setores.
Na política internacional, Portugal melhorou suas relações com a Espanha desde a década de 1980 e manteve desde essa data como máxima prioridade sua plena integração em todas as estruturas da União Européia. As negociações com a República Popular de China deram como resultado o acordo de 1987 para transferir Macau, território ultramarino de Portugal, para o controle chinês em dezembro de 1999. Desde o começo de 1988, Portugal desempenhou um importante papel no processo de restauração da paz em Angola (uma antiga colônia portuguesa), e nas negociações de paz em Moçambique. Apesar dos contratempos, em 1993 continuaram as discussões com Indonésia sobre o antigo território português do Timor do Leste, que o regime indonésio invadiu violentamente e ao qual nega o legítimo direito à autodeterminação.
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